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domingo, 23 de outubro de 2011

A importância da cadeia produtiva da soja para a geração de empregos formais: Rio Grande do Sul – 2010

Thaís Paixão CRUZ; Nilson Luiz COSTA; Marcos Antônio Souza dos SANTOS; Carlos André Corrêa de MATTOS. 
Artigo completo foi publicado nos anais do 9º Seminário Anual de Iniciação Científica, 19 a 21 de outubro de 2011, da Universidade Federal Rural da Amazônia. Disponível para os leitores pelos e-mails: ecnilson@msn.com; nilson.costa@ufra.edu.br

INTRODUÇÃO
A Glycine max (L.) MERRILL, vulgarmente conhecida como soja, é uma das principais fontes de segurança alimentar do mundo. Ao ser triturada, resulta em farelo e óleo, matérias primas utilizadas para a produção de rações (tratamento de suínos, frangos e gado leiteiro) e como ingrediente para a composição de vários produtos alimentícios, a exemplo de óleo de cozinha, pães, salsichas, linguiça calabresa, chocolate e outros (PAULA, FAVARET FILHO, 1998; BRUM, 2002).

Originária da China, chegou ao Brasil em 1882, na Bahia, mas em função das exigibilidades edafoclimáticas, desenvolveu-se no Rio Grande do Sul (GIORDANO, 1999). Nesse estado, o cultivo iniciou-se em 1914, com fins de autoconsumo (alimentação de gado leiteiro, porcos e frangos) no município de Santa Rosa (EMBRAPA, 2004), situado na mesorregião Noroeste Rio Grandense, a 27°51’15.11”S e 54°28’55.29”O. 

A partir do início da década de 1960 passou a ser cultivada com fins comerciais, mas foi na década de 1970 que a adoção de novas tecnologias revolucionou a atividade e, somadas às políticas de desenvolvimento, promoveu o cultivo nas demais unidades da federação. A partir de então, a agricultura se transformou em agronegócio, e a cadeia produtiva da soja passou a aglomerar o somatório das atividades relacionadas ao fornecimento de insumos para a lavoura, as relações de produção existentes dentro das propriedades rurais e as atividades de processamento do grão, produção de derivados e distribuição, até que o produto chegue ao consumidor, conforme base conceitual descrita em Santana (2005).

Nas últimas décadas, em decorrência da adoção de novas tecnologias, nas indústrias mecânica (tratores e colheitadeiras mais avançadas), química (adubação adequadas às distintas exigências dos solos) e biotecnológica (desenvolvimento de variedades adequadas às diferentes regiões e condições edafoclimáticas), o sistema de produção se alterou e a atividade passou por transformações significativas.
Em geral, as práticas de manejo atuais são, predominantemente, adequadas à conservação do solo e água, uma vez que o produtor rural utiliza o plantio direto na palha, terraceamento, proteção e conservação de encostas e logística reversa nas embalagens de agrotóxicos (EMBRAPA, 2005; COSTA, BASTOS, BRUM, 2011).

Atualmente, o RS responde por 3,8 milhões de hectares e possui terceira maior área do Brasil.

O presente estudo tem como problema identificar em que medida a cadeia produtiva da soja contribui para a geração de empregos formais e renda no Rio Grande do Sul. Está dividido em quatro seções, sendo esta a primeira. A segunda, Material e Métodos, apresenta a metodologia utilizada para responder ao problema de pesquisa. A terceira, Resultados e Discussões, ratifica a importância da atividade para a economia rio-grandense, através da mensuração dos empregos formais. Por fim, na quarta seção são apresentas as conclusões do estudo.

MATERIAIS E MÉTODOS
A cadeia produtiva da soja foi delineada a partir da Classificação Nacional de Atividades Econômica (CNAE 2.0).
Depois de delineada, utilizou-se a base de dados do Programa de Disseminação de Estatísticas do Trabalho (PDET) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a partir do acesso on-line à base de dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Feito isto, quantificou-se a geração de emprego e renda, por microrregiões, classes de atividade econômica e elos da cadeia produtiva. Após a classificação das informações por microrregiões e atividades econômicas seguiram-se as análises dos resultados obtidos, relativos ao ano de 2010.

RESULTADOS E DISCUSSÕES
No total, a cadeia produtiva agregou 94.898 empregos formais, o que representa 3,38% da mão-de-obra formal do estado. O volume mensal, em salários, alcançou a cifra de R$ 128,5 milhões, valor equivalente a 3,04% do total do Rio Grande do Sul.

Figura 4. Microrregiões que mais geraram empregos diretamente vinculados à Cadeia Produtiva da Soja: 2010
Fonte: elaboração própria com base em MTE/RAIS, 2011.

Considerando os três elos da cadeia produtiva, as microrregiões que mais geram empregos estão expressas na Figura 4, e numeradas da seguinte maneira: 26-Porto Alegre, 8-Ijui, 29-Campanha, 10-Passo Fundo, 11-Cruz Alta, 35-Litoral Lagunar, 12-Nao-Me-Toque, 1-Santa Rosa, 16-Caxias do Sul, 9-Carazinho 2-Três Passos, 21-Lajeado-Estrela, 33-Pelotas, 7-Santo Ângelo, 17-Santiago, 22-Cachoeira do Sul, 4-Erechim, 18-Santa Maria, 27-Osorio, 23-Montenegro, 30-Campanha Central, 28-Camaquã, 31-Campanha Meridional, 20-Santa Cruz do Sul, 15-Vacaria e 34-Jaguarão.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRUM, A. L. A economia mundial da soja: impactos na cadeia produtiva da oleaginosa no Rio Grande do Sul 1970:2000. Ed. Unijuí. 2002.
COSTA, N. L.; BRUM, A. L. Aspectos recentes da economia da soja no Brasil. In.: Brum, Argemiro Luís; Müller, Patrícia Kettenhuber. Aspectos do agronegócio no Brasil. Ijuí/RS: Unijuí, 2008. Cap.10, p.197-223.
COSTA, N. L.; BASTOS, A. P. V.; BRUM, Análise dos determinantes da expansão da soja no Brasil e na Amazônia Legal. A. L. Folha Socioambiental, Ano 02, n° 4 março/abril 2011.
EMBRAPA. Tecnologias de Produção de Soja: Região Central do Brasil 2006. Londrina/PR. 2005.
EMBRAPA. A soja no Brasil. 2004. Disponível em Acesso em: 25 de Setembro de 2011.
Conceição C; O. A. A Expansão da Soja no Rio Grande do Sul 1950-1975. Porto Alegre, 1986.
Disponível em< http: www.feetche.br> Acesso em 25 de setembro de 2011.
Ministério do Trabalho e do Emprego – MTE. Programa de Disseminação de Estatísticas do Trabalho – PDET. Relação Anual de Estatísticas Sociais – RAIS. Brasília, 2011. Disponível em Acesso em 25 de setembro de 2011.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE. Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE 2.0. Brasília, 2010. Disponível em: Acesso em 25 de setembro de 2011.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Agropecuário 2006. Rio de Janeiro. IBGE, 2011. Disponível em http://www.sidra.ibge.gov.br
PAULA, S. R. de; FAVERET FILHO, P. Panorama do complexo soja. Rio de Janeiro. BNDES, 1998. Disponível em http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Publicacoes/Consulta_Expressa/Setor/Agroindustria/199809_5.html
ROESSING, A.C. LAZZAROTTO, J. J. Criação de Empregos pelo Complexo Agroindustrial da soja. Londrina 2004. Disponível Acesso em: 25 de setembro de 2011.
SANTANA, A. C. Elementos de economia agronegócio e desenvolvimento local. Belém: GTZ; TUD; UFRA, 2005.


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